Ser menina não deveria doer: Quando a Girl Up Brasil ocupou Brasília

38 meninas de todo o Brasil tomaram a capital para transformar dor menstrual em pauta de saúde pública.

"Foi a primeira vez que eu vi minha neta falar sobre a sua menstruação em público. Ela é livre agora. E vocês fizeram isso."

Quem disse isso foi Naldineide, avó da Bea, enquanto ouvia a neta de 13 anos contar sua história. Entre tantas dores que uma garota tão nova já carregava, sabia que a ferida não tinha sumido. Mas foi a partir dela que começou uma nova história.

Uma semana inteira em Brasília

Na semana do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, em maio,  aGirl Up Brasil e oInstituto Alana levaram 38 meninas de vários estados para a capital do país. São lideranças entre 12 e 22 anos, que vieram de norte a sul, de leste a oeste, para ocupar Brasília por quatro dias no Alana Idea Fest 2026.

O tema deste ano dizia tudo: "Ser menina não deveria doer". E foi essa a resposta a um chamado das próprias meninas. Em vez de falar sobre elas, a Girl Up colocou  essas jovens no centro da conversa, ao lado de tomadores de decisão e especialistas no assunto. Elas subiram ao palco e conversaram cara a cara com parlamentares e figuras da política brasileira.

Mostramos, mais uma vez, que menstruar não pode ser sinônimo de dor, sofrimento e falta de direitos. A dor menstrual e os transtornos associados a ela são assunto de saúde pública, e precisam ser ouvidos pela sociedade, pela mídia e pela política.

Elas não chegaram de mãos vazias

Desde 2020, líderes Girl Up atuam na luta pela dignidade menstrual no Brasil. Das mais de duas mil guerapezinhas que já passaram pela nossa rede, muitas colocaram esse tema no centro da vida pública. O resultado aparece em números: mais de 18 milhões de pessoas com direitos garantidos a partir do advocacy delas, mais de 50 projetos de lei municipais e estaduais e uma incidência direta no programa nacional de dignidade menstrual. Tudo feito por jovens que estão na linha de frente do enfrentamento da pobreza menstrual.

Por isso, essas 38 meninas não foram a Brasília só com suas vivências pessoais. Elas carregam um projeto coletivo e chegaram como especialistas no tema, com dados e propostas na mão. Sabem que milhares de pessoas deixam de ir à escola, de trabalhar e de viver plenamente por causa da dor. Uma menina leva de 3 a 12 anos para receber um diagnóstico de endometriose, e quando finalmente recebe, 62% já faltaram à escola por falta de apoio.

Números como esses explicam a pressa. Quando essas lideranças se juntam fora das telas, em encontros como o de Brasília, fica a sensação (quando não a certeza) de que estamos avançando mais rápido no tempo.

Sangue que importa

A Mari, guerapezinha de Belo Horizonte, resume a força que essa rede provoca:

"Nosso sangue é poderoso e nosso sangue importa. Somos livres para menstruar sem sofrer. O silêncio só nos adoece. O conhecimento nos liberta. E a luta, feita juntas, transforma."

Foram quatro dias de debate, articulação, aprendizado e amizade. Encontros e reencontros de meninas que vieram de todos os cantos do país, trazendo na bagagem o que é ser menina no Brasil: os desafios, as dores e toda a potência que elas têm.

O que fica

Parece que foi ontem, e já morremos de saudade de tudo o que vivemos nessa viagem. Mas o que aconteceu em Brasília não termina quando as meninas voltam para casa. Cada uma leva de volta para o seu estado a certeza de que a dor menstrual tem responsável, tem política pública possível e pode mudar.

Se você é mãe, tia, professora ou convive com adolescentes, vale ouvir o que essa geração está dizendo. Quando a Girl Up chega, quando as guerapezinhas deixam sua marca, a mudança acontece. E ela começa por um gesto simples: acreditar que ser menina, de fato, não deveria doer.

Na Girl Up Brasil, meninas lideram a luta pela dignidade menstrual, saúde e direitos. Apoie esse movimento fazendo a sua doação.

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